Um passeio por Hampstead em Londres

August 22, 2017

 

Viajar pra fora não deixa de ser uma forma de viajar pra dentro: estar em outro país e experimentar uma cultura diferente da nossa é questionar os nossos condicionamentos, ver que as coisas podem ser diferentes.

 

Morei na Inglaterra na minha juventude por quase três anos e voltei agora na maturidade para passar um mês e meio. Foi bom reencontrar a discrição e a polidez inglesas, assim como o delicioso humour daquela gente tão refinada.  Foi bom também relembrar o cuidado que os ingleses têm com o meio ambiente e o patrimônio histórico. 

 

Desta segunda vez que estive no país, fiquei a maior parte do tempo em Londres e um dia fui passear em Hampstead, bairro que fica na zona norte da cidade. Parece distante, pois o metrô demora muito a chegar, mas segundo o que pesquisei depois, fica apenas a 6 km de Tralfagar Square, o centrão da metrópole. 


Não sei se algum de vocês conhece esse bairro. Uma graça: parece uma vilazinha do século XVIII, cheio de ruelas e casinhas antigas, com portas coloridas e jardinzinhos. E há também mansões a la Jane Austen. Lembrei dela e de "Mansfield Park" o tempo todo, assim como de "Quatro casamentos e um funeral". Vocês vão entender por que daqui a pouco.

 

No bairro há um parque muito conhecido chamado Hampstead Heath, que costuma aparecer como locação em filmes ingleses. É tipo um Parque das Mangabeiras maior e mais bem cuidado, com lagos e piscinas onde é permitido nadar. Há um lago para homens, um para mulheres e, segundo o guia, um para nudistas. De minha parte, não sabia que nudistas eram o terceiro sexo.

 

O plano era zanzar no bairro seguindo as sugestões de um blog de viagem chamado "pravernomundo". Mas quem disse que consegui seguir o roteiro traçado? Estava difícil ler o texto no meu IPhone e ao mesmo tempo me localizar, então resolvi me perder e fiquei roletando pra lá e pra cá.

 

 

 

Topei com a Burgh House,  a casa mais antiga de Hampstead, construída em 1704, que foi transformada em um museu-café. É nela que se divulga a história do bairro. Fui entrando, toda animadinha.
 

Primeiro momento "Quatro casamentos e um funeral": iam celebrar um casamento lá e a casa estava fechada pra visitação. Perdi uma coleção de pinturas de John Constable.

 

De birra, resolvi partir para o parque e, claro, não conseguia achar o caminho. Depois de muitas voltas, perguntas e eventuais consultas à setinha falante, achei o que me pareceu uma pontinha dele e entrei.

 

Quando cheguei a um espelho d'água, perguntei a uma senhora que estava lá se aquele era o Hampstead Heath. Ela me disse que não! Era um parque adjacente, ao que parece.                        

 

Coloquei então no Google Maps o nome Kenwood House, mansão a la Jane Austen que fica dentro do parque, e a setinha falante me mandou pegar uma estrada. Lá fui eu, saí daquele parque, rodeei o Hampstead Heath por fora até chegar na entrada da mansão

 

Chegando mais perto: terceiro momento "Quatro casamentos". Graças a Deus cheguei antes de fecharem alguns setores da mansão para um casamento à tarde. Bem, numa das salas de passagem havia uma descrição de alguns antigos moradores da casa. Senti um frio na espinha nessa passagem, acho que algum deles estava me observando!                        
 

Quarto momento "Quatro casamentos": fui às dependências do mordomo pra tomar um café e depois resolvi descer o parque, que é enorme (800 acres) para chegar de novo na estação de metrô de Hampstead. O guia falava que era fácil e eu sempre subestimo minha capacidade de me perder entre um passo e outro. O que vocês acham que aconteceu?

 

 

Depois de rodar muito, fi-nal-men-te encontrei uma saída do lado oposto ao que eu queria. Conversei com um nice inglês na frente do mapa da saída e ele me aconselhou a entrar no parque de novo, atravessá-lo, pra sair do outro lado. Ainda pediu desculpas, como se a culpa pela minha desorientação fosse dele.

 

Entrei de novo no parque e tive que ser reorientada mais uma vez. Quando resolvi ligar a setinha falante, começou a chover. Eu sou desorientada, mas previdente! Tinha sombrinha, claro!                

Consegui chegar na estação, mas resolvi explorar mais o bairro, acreditam? Desorientada, mas animada. Minha bateria de celular acabou, ou seja, setinha falante no more. Descobri outra casa-museu aberta. Felton House, se chamava. Também antiga, 1700 e pedrinha, com uma linda coleção de porcelanas e uma coleção enorme de instrumentos musicais! Cravos, espinetas e outros teclados mais, de todos tipos e tamanhos. 

 


Segundo um guia voluntário, essa coleção pertencia a um milionário cuja casa em Londres, cheia de objetos de arte, foi bombardeada. A coleção de instrumentos se salvou pq estava no interior do país. Foi doada para o Estado e levaram pra essa casa...

 

Ficou faltando só uma coisa em Hampstead que queria ter visitado: o Museu Freud. Ele morou na casa e preservaram até o divã, sei que é tão tétrico quanto um bicho empalhado, mas bem que estava curiosa. Minhas perninhas, contudo, se recusaram e ainda tava chovendo. Será que alguém anima a se casar no Museu Freud?                        

 

 

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